A batalha pela vanguarda da inteligência artificial no setor jurídico esquentou. A renomada firma global Linklaters acaba de anunciar a implementação da Legora, uma plataforma de IA generativa, em todas as suas operações. Mas, o que isso significa na prática? E quais são as implicações para o futuro da advocacia?
Em um mundo onde a eficiência e a produtividade são cruciais, a adoção da Legora pela Linklaters não é apenas uma mudança tecnológica; é uma declaração de posicionamento estratégico. É a afirmação de que a advocacia, tal como a conhecemos, está em plena transformação. Mas será que estamos preparados para essa revolução?
O Dilema da Adoção: Produtividade versus Humanidade
O primeiro ponto a ser analisado é o dilema central: como equilibrar o aumento de produtividade com a preservação da essência humana da advocacia? A Legora, com suas capacidades de IA generativa, promete otimizar tarefas, acelerar processos e reduzir custos. Mas, a que preço? A automatização pode levar à desvalorização do conhecimento especializado, à diminuição da interação humana e a possíveis erros processuais, caso a tecnologia não seja aplicada com cautela.
Quando participei de um projeto de implementação de IA em um escritório de advocacia menor, testemunhei a resistência dos advogados mais experientes. Eles temiam que a tecnologia substituísse suas habilidades e anos de experiência. Essa resistência, embora compreensível, ignora o potencial da IA para liberar os profissionais de tarefas repetitivas e permitir que se concentrem em questões mais estratégicas e complexas. A chave está em encontrar o equilíbrio certo, onde a tecnologia sirva como uma ferramenta de apoio, e não como um substituto.
Tendência de Mercado: A Escalada da IA Generativa no Setor Jurídico
A decisão da Linklaters é um forte indicador da tendência crescente de adoção de IA generativa no setor jurídico. Outras firmas globais, e até mesmo escritórios menores, estão investindo em tecnologias semelhantes. A promessa é clara: aumentar a eficiência, reduzir custos e oferecer serviços mais rápidos e personalizados. Mas, essa corrida armamentista tecnológica pode criar uma divisão entre aqueles que podem pagar por essas ferramentas e aqueles que não podem. E, como sempre, a desigualdade pode se aprofundar.
Um estudo recente da Gartner previu um aumento de 40% no uso de IA generativa em empresas de serviços jurídicos nos próximos dois anos. Essa projeção reforça a urgência de entender e se adaptar a essa nova realidade. As firmas que não investirem em tecnologia correm o risco de ficar para trás, perdendo competitividade e relevância no mercado.
Implicações Éticas: Responsabilidade e Transparência
A implementação da Legora traz consigo importantes implicações éticas. Como garantir a responsabilidade pelo uso da IA? Quem será responsabilizado por erros ou decisões tomadas pela plataforma? A transparência é fundamental, tanto para os clientes quanto para os próprios advogados. É preciso saber como a IA está tomando decisões e quais dados estão sendo utilizados.
Em um cenário hipotético, imagine um caso de direito penal em que a Legora analisa dados e sugere uma estratégia de defesa. Se essa estratégia for baseada em informações enviesadas ou incompletas, o resultado pode ser desastroso. A integridade do sistema judicial depende da ética e da responsabilidade de todos os envolvidos, incluindo os desenvolvedores e os usuários da IA.
Impacto Regional: Oportunidades e Desafios na América Latina
Embora a notícia sobre a Legora venha de uma firma global, o impacto se fará sentir em todo o mundo, incluindo a América Latina. Os escritórios de advocacia da região terão que se adaptar a essa nova realidade, seja adotando tecnologias semelhantes, seja buscando novas formas de competir. A oportunidade está em aproveitar a IA para melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços, mas o desafio é garantir que essa transformação seja inclusiva e não aprofunde as desigualdades.
No Brasil, por exemplo, a crescente demanda por soluções de LegalTech já demonstra o interesse do mercado. A questão é como as firmas brasileiras, muitas vezes com menos recursos que as multinacionais, poderão competir nesse cenário. A colaboração entre empresas, universidades e órgãos governamentais pode ser uma estratégia para impulsionar a inovação e garantir que a IA seja usada em benefício de todos.
Projeção Futura: A Advocacia como um Serviço Híbrido
O futuro da advocacia será, sem dúvida, híbrido. A IA generativa, como a Legora, desempenhará um papel cada vez maior, mas a expertise humana continuará sendo essencial. Os advogados precisarão dominar as ferramentas de IA, analisar os resultados gerados e tomar decisões estratégicas. A capacidade de interpretar dados, comunicar de forma clara e construir relacionamentos com os clientes será mais importante do que nunca.
Acredito que, em 10 anos, teremos uma advocacia muito diferente da que conhecemos hoje. Os escritórios serão mais enxutos, com equipes multidisciplinares, incluindo cientistas de dados e especialistas em IA. A tecnologia será uma ferramenta indispensável, mas o foco estará sempre no cliente e na busca pela justiça.
Alerta Prático: Prepare-se para a Mudança
Para os profissionais do direito, a mensagem é clara: preparem-se para a mudança. É hora de aprender sobre IA, explorar as ferramentas disponíveis e começar a integrá-las em suas rotinas de trabalho. Aqueles que se recusarem a se adaptar correm o risco de se tornarem obsoletos. A atualização constante, o aprimoramento de habilidades e a busca por conhecimento serão essenciais.
Para os gestores de escritórios, a recomendação é ainda mais direta: invistam em tecnologia e em treinamento. Criem equipes multidisciplinares e busquem soluções que se adequem às suas necessidades. A transformação digital não é uma opção, mas uma necessidade. A sobrevivência no mercado dependerá da capacidade de inovar e se adaptar.
A Importância de Legora e Outras Plataformas de IA
A Legora e outras plataformas de IA oferecem um leque de benefícios para o setor jurídico. Elas podem:
- Automatizar tarefas repetitivas e demoradas, como pesquisa de documentos e elaboração de contratos.
- Analisar grandes volumes de dados para identificar padrões e insights relevantes.
- Reduzir erros e aumentar a precisão dos resultados.
- Otimizar o tempo dos advogados, permitindo que se concentrem em atividades de maior valor agregado, como a estratégia e o relacionamento com o cliente.
- Melhorar a tomada de decisões, fornecendo informações mais completas e precisas.
A Legora representa um passo significativo na evolução da advocacia, mas é apenas o começo. O futuro será definido pela capacidade de adaptação e pela busca constante por inovação.
A adoção da Legora pela Linklaters é um marco na história da advocacia. É um sinal claro de que a IA generativa está transformando o setor. Mas, como em toda transformação, surgem desafios e oportunidades. Cabe a cada profissional e a cada escritório de advocacia decidir como enfrentar essa nova realidade. A chave é a preparação, a adaptação e a busca constante por conhecimento.
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